Durante muito tempo, a internet vendeu uma ideia quase inalcançável de felicidade. Carros importados. Viagens constantes. Restaurantes caros. Casas impecáveis. Rotinas perfeitas. Corpos perfeitos. Vidas perfeitas.
Parecia que o sucesso precisava ser barulhento e caro. Mas algo curioso começo a perceber nos últimos tempos: as pessoas começaram a se cansar do excesso e algum países até interfiram na falsa ostentação, com legislações limitantes.
E por tudo isso vídeos simples estão emocionando mais do que grandes produções. Uma menina sentada na varanda tomando um café passado na hora. Um almoço de domingo em família. Um pôr do sol no interior. Uma conversa sem pressa. Um fogão a lenha. Uma estrada de terra.
Hoje, isso gera mais identificação do que ostentação. Existe uma mudança silenciosa acontecendo na internet e não é preciso ser especialista para perceber. O simples voltou a ter valor.
E talvez poucas pessoas representem isso tão bem atualmente quanto cantora Ana Castela. Mesmo vivendo o auge da fama, ela frequentemente publica momentos ligados à fazenda, aos animais, à vida no interior e às próprias raízes. Quando aparece em Sete Quedas, cidade sul-mato-grossense que faz parte de sua história familiar, existe algo ali que chama atenção das pessoas: uma sensação de verdade.
Não é apenas marketing. As pessoas percebem quando alguém ainda consegue parecer humano em meio ao espetáculo. Talvez o sucesso dela dialogue tanto com essa geração justamente porque muita gente anda cansada de personagens.
A internet ficou sofisticada demais. Artificial demais. Editada demais.
E, no meio de tanta perfeição fabricada, o simples começou a parecer revolucionário.
O filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra já alertava sobre viver tempos líquidos, onde tudo é rápido, descartável e superficial. Relações rápidas. Opiniões rápidas. Consumo rápido. Talvez por isso tanta gente esteja buscando exatamente o contrário. Algo que permaneça.
Uma comida feita em casa. Um lugar que traga memória afetiva. Uma conversa olho no olho. Um vídeo sem roteiro. Um artista que ainda pisa na terra vermelha do interior.
Tenho a impressão de que as pessoas não estão mais impressionadas apenas com riqueza. Elas estão impressionadas com autenticidade. Porque hoje ser simples exige coragem. Exige não competir o tempo inteiro. Não transformar cada momento em vitrine. Não viver tentando provar alguma coisa.
O curioso é que a internet, que um dia ajudou a criar a cultura da aparência, agora começa lentamente a premiar justamente aquilo que parece mais real.
Talvez estejamos entrando numa era em que o verdadeiro luxo não seja mais ostentar.
Seja conseguir viver uma vida que ainda faça sentido fora das redes sociais. Ana Castela, a Boiadeira, influenciadora das novas gerações, merece o sucesso autêntico que faz de forma suave e original.

